Eu não sei por que, mas nunca gostei de romance, seja no livro, ou no filme, também não sou chegada em comédia, a não ser aquelas com pitadas de humor negro.
Hoje uma pessoa que me conhece razoavelmente me disse: “Li, não foi um filme com final feliz, foi um filme alternativo”, ta aí, detesto enlatados americanos do tipo “Hulk”, sou fã do cinema alternativo, daquilo que geralmente não tem final feliz, os dramas me atraiam porque eu me sentia próxima do sofrimento das personagens.
Engraçado, pensando bem: o filme da vida é realmente alternativo, sou filha de um imigrante chinês que chegou do nada aqui e casou-se com minha mãe (uma brasileira), eles se separaram quando eu tinha 6 anos e eu nunca tive a presença efetiva de nenhum dos dois, lógico que a ausência do pai foi mas evidente. Cresci na companhia das minhas tias, às vezes das domésticas que moravam em casa, na adolescência eu já não tinha a presença da minha mãe (devido ao trabalho dela), tias, ou domésticas.
O que eu sei da vida eu aprendi praticamente sozinha, observando, errando, quebrando a cara, levando aos trancos e barrancos, se cheguei a algum lugar e tenho algum caráter, o mérito é bastante meu.
Não sei o que é família (pai, mãe, irmãos), sou filha única, não sei o que é almoço de família, café da manhã junto, não sei como são estas coisas e particularmente estranhava, só sei que com 12 anos ou eu fazia minha comida, ou morria de fome (por isso cozinho bem, rs), minha mãe trabalhava 12 ou 18 horas por dia e não tem dotes culinários.
Já passei Natal e aniversário sozinha, mudei 15 vezes de casa, agora moro no centro de São Paulo, não sei o que é vizinhança, amigos de bairro, sempre que começava a conhecer os vizinhos acabava me mudando.
Amigos de verdade? Daqueles que dormiu em casa e comeu biscoito comigo no almoço, eu tive 8 em 22 anos, destes ficaram 2 amigas.
Tive um namoro de 2 anos e um “casamento” de 3 anos, que rompeu-se pouco antes de oficializar-se, não tive muitos affairs, não colecionei ficantes, talvez por eu ter um vazio enorme as pessoas vazias não me interessam, sendo assim não saiu "pegando" (termo imbecil).
Analisando minhas amizades eu tratei e trato meus amigos como os irmãos que eu não tive, no amor eu só queria ter alguém pra eu cuidar e pra cuidar de mim, porque eu não tive isso.
Eu só sei que revendo todos os finais de todos meus relacionamentos interpessoais, sem exceção: reparo que no fim eu fico solitária, a solidão é minha eterna companheira, nunca me abandona, está sempre comigo e não abre (rs), um final sempre alternativo e infeliz. E prefiro os finais infelizes (deve ser por isso que não sei lidar com despedidas), pois são mais sentimentais, envolventes, dolorosos e geralmente esta dor nos acrescenta uma experiência grandiosa.
Confesso que tenho um pouco de medo da felicidade, para mim felicidade é para ser apreciada e respeitada de longe, mas de perto eu não sei, porque nunca vi, senti, ou toquei.
Frase do dia:
“A felicidade? Esta sempre passa por mim, mas nunca sequer olhou na minha cara”
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