domingo, 16 de agosto de 2009

Cilada no Parque.



Todos hão de convir que domingo é um tédio, se alguém inventou o tédio o fez num domingo.
Estou em casa curtindo a depressão domingueira, quando de repente o telefone toca, do outro lado da linha minha amiga Katia.
- Li, o que você está fazendo?
Eu: - Nada. (o que eu estaria fazendo num domingo à tarde?)
Katia: - Vamos ao Ibirapuera?
Eu: - Vamos. (bendita hora que eu disse sim)
No caminho, entramos na rua do parque, havendo uma placa minúscula para fazer uma entrada para o “estacionamento”.
Eu: - Ali, Katia.
Katia: - Ah, impossível.
Ela bem que tentou entrar na rua, mas o carro não deixou a gente passar, e no farol uma loira escrota ainda ficou nos encarando, cruzes.
Lá vamos nós novamente fazer o retorno e pegar a rua, nenhuma placa em vista dizendo que era proibido estacionar (pelo menos não vimos).
Chegamos no local, imagine a cena do Parque do Ibirapuera num domingo à tarde, gente, o que é aquilo?! Pessoas tirando foto sem parar, bicicletas, patins, cachorros, crianças por toda parte, piquenique, frango, farofa, refrigerante 2 litros...
Tudo bem, é um lindo domingo no parque, então falei pra Katia:
- Cadê o seu amigo que combinou contigo?
Katia: - Calma, vamos dar uma volta para ver se encontramos ele.
Porra, olha o tamanho do parque e a quantidade de pessoas que estão nele, lógico, é óbvio que seria bem fácil encontrar do nada o amigo dela.
Depois de perceber a impossibilidade desta missão, ela resolve ligar pro cara, que está no portão 7, lá na puta que pariu, ok, vamos curtir o parque né?!
Encontramos o ser, que está com mais 2 amigas, 2 amigos e 4 crianças, maravilha, um típico dia família, fazia tempo que eu não curtia um programa tão, tão diferente.
Sentamos no piquenique, minha amiga com sede pede água, mas vamos dizer que os copos presentes sobre a toalha não estavam muito higienizados, eu prefiro não arriscar e vou de suco Del Valle made in Assuncion.
Após uns 30 minutos o tédio começa a bater, lembro que meu Timão está jogando, e quando eu olho pra Katia, e pelo olhar entendemos que é hora de partir, vem uma frase assustadora.
- Cadê a minha filha menor?
A menininha de 5 anos simplesmente sumiu no parque, bom, não iríamos sair fora naquela hora de aflição, seria no mínimo deselegante. Ficamos então com cara de paisagem no meio daquela situação assustadora, matutando coisas do tipo: como será que ela se perdeu? Seria interessante colocar placas de identificação ao sair com crianças. Ela pode falar o número do celular da mãe dela para um estranho ligar. Será que ela já sabe o número decor? Será que ela teria esta idéia? E se for um seqüestrador malvado? Melhor não pensar mais nada e esperar.
Após um tempo decidem ir atrás daqueles lugares onde procuram crianças perdidas no parque, por sorte a menina já estava num posto da guarda, ufa!
A mãe vai buscar a menina, e quando volta, questiona:
- Cadê a minha outra filha, a Luiza?
MEDA!!!
Perdeu a outra também, depois de muitos sustos resolvemos partir, eu, a Katia e o amigo dela.
Na hora da saída.
- Onde paramos o carro?
Katia: - Não sei.
Eu: - O vendendor de picolé disse que era portão 9.
Paramos e perguntamos a um ambulante local, onde ficava o portão 9.
Ambulante: - Portão 9, ou 9A?
Cacete viu, fomos nos dois portões e nada.
Nova parada para perguntar:
- Onde fica aquele portão, que assim que saímos da 23 de maio pegamos a rua do parque e ele fica logo de cara?
Guarda: - É o portão 3, eu acho. (eu acho?)
Lá vamos nós andar pra caralho de novo, está tudo bem, vamos curtir o parque, poxa.
Nova parada:
- Aqui é o portão 3?
Ambulante:
- Ksjudhidkosmvtgfcy. (isso, não entendemos porra nenhuma do que foi dito)
Eu: - Acho que é ali, olha a avenida. Eu apenas acho viu, gente.
Katia: - Sim, parece ser ali, olha os carros.
Eu: - Moço qual portão é aquele, é portão 3?
Ambulante: - Não, portão 10.
Penso: Merda, só falta não ser este.
Detalhe que este foi o primeiro portão em que fomos, antes de perguntar onde ficava o portão 9, então nunca confie num vendedor de picolé pra te dar uma informação.
Achamos, depois de longas caminhadas embaixo do sol escaldante, mas pra ficar perfeito só faltava um detalhezinho, a multa pregada no carro. Sim, era proibido estacionar. Mas, gente, como assim aquilo não era estacionamento, mentchera?!
Moral da história, domingo é um dia tedioso, não foi feito pra sair de casa, se você sair de casa será amaldiçoado por tentar reverter seu dia chato em um dia maravilhoso e divertido. Havia tempos que eu mesma não tentava fazer um programa legal, família, sem álcool, sem barulho, sem pessoas loucas ao redor, mas pelo visto tentar ser normal é CILADA!
OBS: o bom do parque é que podemos fumar, sim, ainda consegui ver um lado bom nesta história. (se bem que fumar causa câncer e doenças pulmonares, além de mau hálito, e... ah deixa pra lá).

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